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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Ministra faz pronunciamento sobre o dia da consciência negra

No blog da Bernadete

Ministra também anunciou campanha de combate à desigualdade racial
A ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, Luiza Bairros, Luíza Bairros, fez um pronunciamento neste domingo (20/11), em cadeia nacional para rádio e televisão em virtude Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
 
Durante o pronunciamento a ministra ressaltou que esse é o melhor momento, de "inclusão social vivido pelo Brasil", para melhorar as condições acesso das pessoas negras às políticas públicas implementadas pelo governo federal.
 
"As mudanças no acesso à educação, trabalho e renda ainda são acompanhadas pela persistente presença de mulheres e homens negros entre os mais vulneráveis. Hoje lembramos uma experiência histórica que supera épocas e lugares. Com a sanção da lei que declara o 20 de novembro como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra o governo reconhece o empenho dos movimentos negros, porque o significado desta data alcança a todos nós brasileiros", disse a ministra.
 
As pessoas negras hoje representam no Brasil 71% dos brasileiros que vivem em condição de extrema pobreza, segundo dados do governo.
 
A ministro também aproveitou o pronunciamento para anunciar a campanha "Igualdade Racial é pra Valer", que pretende mobilizar agentes econômicos e socias no combate à desigualdade racial, classificada pela ministra como "o núcleo mais resistente de nossas desigualgades.
 
Luiza Bairros lembrou ainda que 2011 foi eleito pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional dos Afrodescendentes, um dos motivos para o lançamento da campanha que pretende chamar a atenção para as dificuldades de acesso dos negros à educação, trabalho e renda.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Igualdade Racial no Pará

No blog As Falas da Pólis.

 
Confiram a entrevista concedida ao blog, via bate papo do Facebook, pelo professor universitário e afro-religioso Arthur Leandro, que neste Dia da Igualdade Racial, revela o quanto a sociedade brasileira e principalmente o Estado continuam omissos na garantia de direitos das comunidades negras que lutam pela afirmação de seus valores culturais e relegiosos.




 
Diógenes Brandão - Qual é o contexto de discriminação contra as comunidades tradicionais de terreiros?

Arthur Leandro - Nossa situação é fruto da violência da colonização portuguesa que resulta em 04 séculos de perseguição por parte da Igreja Católica - na monarquia portuguesa e império luso-brasileiro. Depois fomos perseguidos pelo estado republicano, pois mesmo que a primeira constituição já tivesse um artigo que garantisse a liberdade de culto religioso, essa liberdade vinha acompanhada de um parágrafo único que dizia que “desde que [o culto religioso] não perturbasse a ordem e os bons costumes”, e, como os juízes dessa causa eram racistas e cristãos, uma religião de gente negra e que canta, dança incorpora e faz oferendas... Era considerada perturbadora dessa dita ordem e bons costumes.


Quando a constituição de 1988 finalmente tira esse parágrafo único do texto constitucional é que legalmente passamos a ter o direito pleno à consciência religiosa e aos cultos religiosos, mas é mais ou menos no mesmo período que um outro fenômeno ganha força no Brasil: o fundamentalismo cristão das seitas neo-pentecostais. A questão problemática é a imposição dos fundamentos teológicos de uma crença sobre a outra através da força, e no caso dos brasileiros, e para piorar a situação, essas seitas fundamentalistas que elegem as religiões afro-brasileiras como “o demônio a ser combatido” usam do poder econômico para fazer campanhas difamatórias através dos meios eletrônicos e digitais de comunicação de massa dos quais são proprietárias, e eles possuem emissoras de televisão e emissoras de rádio - que são concessões públicas do Estado brasileiro através de seu presidente – e esse espaço público concedido pelo presidente é utilizado para juntar um “exercito de Deus”, ou outros nomes como “batalhão de Jesus”, para duas funções: 1) promover uma guerra santa contra as praticas religiosas afro-brasileiras; e 2) promover candidatos a cargos eletivos políticos e, com eles, ou vem gestões da administração pública (principalmente em prefeituras de interior) que promovem verdadeiras caças às bruxas e jogam no lixo a laicidade constitucional do Estado Brasileiro, ou então vem os legisladores a propor Leis que trazem em seus textos (abertamente ou nas entrelinhas) impedimentos às nossas práticas religiosas...

Diógenes Brandão - Mas o que as políticas públicas aplicadas pelos governo federal e estadual mudou essa situação nos últimos 10 anos?


Arthur Leandro - (risos) Muito pouco. Na verdade considero que nenhum governo tem o poder, e nem pode ter a pretensão, de em uma única década mudar a cultura social de segregação que foi construída em cinco séculos de práticas racistas, intolerantes e discriminatórias.